Módulo 4 — Node.js e Back-end
Introdução
No artigo Criando um servidor HTTP com Node.js puro construímos uma API completa com o módulo http puro. Funcionou — mas ficou claro o quanto de código repetitivo precisamos escrever para tarefas simples como parsear o corpo de uma requisição ou extrair parâmetros da URL.
O Express.js é o framework web mais popular do ecossistema Node. Ele não substitui o http — ele é construído sobre ele. O que o Express faz é pegar todo aquele código repetitivo que escrevemos e transformar em APIs limpas, expressivas e extensíveis.
Instalando e configurando
mkdir api-express && cd api-express
npm init -y
npm install express
npm install -D nodemon
// package.json — adicione os scripts
{
"scripts": {
"start": "node src/index.js",
"dev": "nodemon src/index.js"
}
}
Hello World com Express
// src/index.js
const express = require("express");
const app = express();
const PORTA = process.env.PORT || 3000;
app.get("/", (req, res) => {
res.json({ mensagem: "Olá, Express!" });
});
app.listen(PORTA, () => {
console.log(`🚀 Servidor rodando em http://localhost:${PORTA}`);
});
npm run dev
Compare com o artigo Criando um servidor HTTP com Node.js puro. A diferença é imediata.
Comparativo direto — http puro vs Express
// ── http puro ───────────────────────────────────────
const http = require("http");
const servidor = http.createServer(async (req, res) => {
const url = new URL(req.url, `http://${req.headers.host}`);
if (url.pathname === "/usuarios" && req.method === "GET") {
res.writeHead(200, { "Content-Type": "application/json" });
res.end(JSON.stringify(usuarios));
}
if (url.pathname.match(/^\/usuarios\/\d+$/) && req.method === "GET") {
const id = Number(url.pathname.split("/")[2]);
const usuario = usuarios.find(u => u.id === id);
if (!usuario) {
res.writeHead(404);
res.end(JSON.stringify({ erro: "Não encontrado" }));
} else {
res.writeHead(200, { "Content-Type": "application/json" });
res.end(JSON.stringify(usuario));
}
}
});
// ── Express ──────────────────────────────────────────
const express = require("express");
const app = express();
app.get("/usuarios", (req, res) => {
res.json(usuarios);
});
app.get("/usuarios/:id", (req, res) => {
const usuario = usuarios.find(u => u.id === Number(req.params.id));
if (!usuario) return res.status(404).json({ erro: "Não encontrado" });
res.json(usuario);
});
Mesmo resultado. Metade do código. Muito mais legível.
Middlewares — o coração do Express
Middleware é qualquer função com a assinatura (req, res, next). O Express processa uma requisição passando-a por uma pilha de middlewares em sequência:
Requisição → [MW1] → [MW2] → [MW3] → Rota → Resposta
↓ next() ↓ next() ↓ next()
// Estrutura de um middleware
function meuMiddleware(req, res, next) {
// Faz algo com req ou res
console.log("Passou pelo middleware");
// Chama o próximo middleware ou rota
next();
// Se NÃO chamar next(), a requisição para aqui
}
// Usando
app.use(meuMiddleware); // aplica em TODAS as rotas
app.use("/admin", meuMiddleware); // aplica apenas em /admin
app.get("/rota", meuMiddleware, handler); // aplica em uma rota específica
Middlewares nativos do Express
const express = require("express");
const app = express();
// Parse automático de JSON no corpo das requisições
// Antes: lerCorpo(req) com streams manual
// Agora: req.body já está disponível
app.use(express.json());
// Parse de formulários HTML (application/x-www-form-urlencoded)
app.use(express.urlencoded({ extended: true }));
// Servir arquivos estáticos
app.use(express.static("public"));
// GET /style.css → serve public/style.css automaticamente
req e res no Express — o que ganhou
// ── req — muito mais rico ────────────────────────
app.get("/exemplo/:id", (req, res) => {
// Parâmetros de rota
console.log(req.params.id); // "42" de /exemplo/42
// Query string
console.log(req.query.busca); // "ana" de ?busca=ana
console.log(req.query.pagina); // "1" de ?pagina=1
// Corpo (requer express.json())
console.log(req.body); // { nome: "Ana" }
// Headers
console.log(req.headers["authorization"]); // "Bearer token..."
console.log(req.get("Content-Type")); // "application/json"
// Outros
console.log(req.method); // "GET"
console.log(req.path); // "/exemplo/42"
console.log(req.ip); // "127.0.0.1"
console.log(req.hostname); // "localhost"
console.log(req.protocol); // "http"
console.log(req.secure); // false
});
// ── res — muito mais expressivo ──────────────────
app.get("/resposta", (req, res) => {
// JSON
res.json({ mensagem: "ok" });
// Com status
res.status(201).json({ id: 1 });
res.status(404).json({ erro: "Não encontrado" });
// Texto
res.send("texto puro");
// HTML
res.send("<h1>Olá</h1>");
// Status vazio (204 No Content)
res.sendStatus(204);
// Redirect
res.redirect("/nova-url");
res.redirect(301, "/nova-url-permanente");
// Headers personalizados
res.set("X-Total-Count", "42");
res.set({ "X-Custom": "valor", "Cache-Control": "no-cache" });
// Cookie
res.cookie("sessao", "token123", { httpOnly: true, maxAge: 3600000 });
// Download de arquivo
res.download("/caminho/arquivo.pdf", "relatorio.pdf");
// Arquivo estático
res.sendFile("/caminho/absoluto/index.html");
});
Parâmetros de rota
Atenção à versão. Os exemplos abaixo usam a sintaxe do Express 4. O npm install express hoje instala o Express 5, que trocou o analisador de rotas: o curinga solto * e o parâmetro opcional :nome? deixaram de ser aceitos e derrubam a aplicação no boot, com TypeError: Missing parameter name. No 5, o curinga precisa de nome — /docs/*caminho, lido em req.params.caminho como array de segmentos — e o opcional vira /arquivos/:nome{.:extensao}. Para acompanhar o artigo como está, instale a versão 4 explicitamente: npm i express@4.
// Parâmetro simples
app.get("/usuarios/:id", (req, res) => {
const id = Number(req.params.id);
// /usuarios/42 → req.params.id = "42"
});
// Múltiplos parâmetros
app.get("/usuarios/:usuarioId/pedidos/:pedidoId", (req, res) => {
const { usuarioId, pedidoId } = req.params;
// /usuarios/1/pedidos/99 → { usuarioId: "1", pedidoId: "99" }
});
// Parâmetro opcional
app.get("/arquivos/:nome.:extensao?", (req, res) => {
const { nome, extensao } = req.params;
// /arquivos/relatorio.pdf → { nome: "relatorio", extensao: "pdf" }
// /arquivos/relatorio → { nome: "relatorio", extensao: undefined }
});
// Wildcard
app.get("/docs/*", (req, res) => {
// Captura qualquer rota abaixo de /docs/
res.send(`Documento: ${req.params[0]}`);
});
Router — organizando rotas em módulos
Em vez de definir todas as rotas no arquivo principal, usamos Router para separar por recurso:
// src/routes/usuarios.js
const express = require("express");
const router = express.Router();
// Banco em memória (em projetos reais, viria do banco de dados)
let usuarios = [
{ id: 1, nome: "Ana Paula", email: "ana@email.com" },
{ id: 2, nome: "Carlos Silva", email: "carlos@email.com" },
];
let proximoId = 3;
// GET /usuarios
router.get("/", (req, res) => {
const { busca, pagina = 1, por_pagina = 10 } = req.query;
let lista = usuarios;
if (busca) {
const termo = busca.toLowerCase();
lista = lista.filter(u =>
u.nome.toLowerCase().includes(termo) ||
u.email.toLowerCase().includes(termo)
);
}
const total = lista.length;
const inicio = (pagina - 1) * por_pagina;
const dados = lista.slice(inicio, inicio + Number(por_pagina));
res.json({
dados,
paginacao: {
total,
pagina: Number(pagina),
por_pagina: Number(por_pagina),
total_paginas: Math.ceil(total / por_pagina),
},
});
});
// GET /usuarios/:id
router.get("/:id", (req, res) => {
const usuario = usuarios.find(u => u.id === Number(req.params.id));
if (!usuario) {
return res.status(404).json({ erro: `Usuário ${req.params.id} não encontrado.` });
}
res.json(usuario);
});
// POST /usuarios
router.post("/", (req, res) => {
const { nome, email } = req.body;
const erros = [];
if (!nome?.trim()) erros.push("nome é obrigatório.");
if (!email?.trim()) erros.push("email é obrigatório.");
if (email && !email.includes("@")) erros.push("email inválido.");
if (email && usuarios.some(u => u.email === email)) {
erros.push("email já cadastrado.");
}
if (erros.length > 0) {
return res.status(422).json({ erro: "Dados inválidos.", detalhes: erros });
}
const novo = {
id: proximoId++,
nome: nome.trim(),
email: email.trim().toLowerCase(),
criadoEm: new Date().toISOString(),
};
usuarios.push(novo);
res.status(201).location(`/usuarios/${novo.id}`).json(novo);
});
// PUT /usuarios/:id
router.put("/:id", (req, res) => {
const indice = usuarios.findIndex(u => u.id === Number(req.params.id));
if (indice === -1) {
return res.status(404).json({ erro: `Usuário ${req.params.id} não encontrado.` });
}
const { nome, email } = req.body;
const erros = [];
if (email && !email.includes("@")) erros.push("email inválido.");
if (email && usuarios.some(u => u.email === email && u.id !== usuarios[indice].id)) {
erros.push("email já cadastrado por outro usuário.");
}
if (erros.length > 0) {
return res.status(422).json({ erro: "Dados inválidos.", detalhes: erros });
}
usuarios[indice] = {
...usuarios[indice],
...(nome && { nome: nome.trim() }),
...(email && { email: email.trim().toLowerCase() }),
atualizadoEm: new Date().toISOString(),
};
res.json(usuarios[indice]);
});
// DELETE /usuarios/:id
router.delete("/:id", (req, res) => {
const indice = usuarios.findIndex(u => u.id === Number(req.params.id));
if (indice === -1) {
return res.status(404).json({ erro: `Usuário ${req.params.id} não encontrado.` });
}
const removido = usuarios.splice(indice, 1)[0];
res.json({ mensagem: `Usuário "${removido.nome}" removido com sucesso.` });
});
module.exports = router;
Middlewares customizados — logging, auth, erros
// src/middlewares/logger.js
function logger(req, res, next) {
const inicio = Date.now();
// Intercepta o momento em que a resposta é enviada
res.on("finish", () => {
const duracao = Date.now() - inicio;
const cor = res.statusCode < 400 ? "\x1b[32m" : "\x1b[31m"; // verde/vermelho
const reset = "\x1b[0m";
console.log(
`${cor}[${new Date().toLocaleTimeString("pt-BR")}]${reset} ` +
`${req.method.padEnd(7)} ${req.path.padEnd(25)} ` +
`${cor}${res.statusCode}${reset} ${duracao}ms`
);
});
next();
}
module.exports = logger;
// src/middlewares/auth.js
function autenticar(req, res, next) {
const authHeader = req.headers.authorization;
if (!authHeader?.startsWith("Bearer ")) {
return res.status(401).json({ erro: "Token de autenticação ausente." });
}
const token = authHeader.split(" ")[1];
// Em produção: verificaria JWT com jsonwebtoken
if (token !== "token-secreto-123") {
return res.status(401).json({ erro: "Token inválido ou expirado." });
}
// Adiciona dados do usuário ao req para uso nas rotas
req.usuario = { id: 1, nome: "Admin", papel: "admin" };
next();
}
function autorizar(...papeis) {
return (req, res, next) => {
if (!papeis.includes(req.usuario?.papel)) {
return res.status(403).json({ erro: "Acesso negado." });
}
next();
};
}
module.exports = { autenticar, autorizar };
// src/middlewares/validar.js
function validarJSON(req, res, next) {
const contentType = req.headers["content-type"] || "";
if (["POST", "PUT", "PATCH"].includes(req.method) &&
!contentType.includes("application/json")) {
return res.status(415).json({
erro: "Content-Type deve ser application/json.",
});
}
next();
}
module.exports = { validarJSON };
// src/middlewares/erros.js
// Middleware de rota não encontrada (deve vir após todas as rotas)
function naoEncontrado(req, res, next) {
res.status(404).json({
erro: `Rota ${req.method} ${req.path} não encontrada.`,
});
}
// Middleware de erro global (4 parâmetros — Express reconhece como error handler)
function tratadorDeErros(erro, req, res, next) {
console.error(`[Erro] ${erro.message}`, erro.stack);
// Erros de JSON malformado
if (erro.type === "entity.parse.failed") {
return res.status(400).json({ erro: "JSON inválido no corpo da requisição." });
}
// Outros erros
const status = erro.status || erro.statusCode || 500;
res.status(status).json({
erro: status === 500 ? "Erro interno do servidor." : erro.message,
});
}
module.exports = { naoEncontrado, tratadorDeErros };
Montando tudo — o app completo
// src/index.js
const express = require("express");
const logger = require("./middlewares/logger");
const { validarJSON } = require("./middlewares/validar");
const { naoEncontrado, tratadorDeErros } = require("./middlewares/erros");
const usuariosRouter = require("./routes/usuarios");
const app = express();
const PORTA = process.env.PORT || 3000;
// ── Middlewares globais ──────────────────────────
app.use(logger);
app.use(express.json());
app.use(express.urlencoded({ extended: true }));
app.use(validarJSON);
// ── CORS básico ──────────────────────────────────
app.use((req, res, next) => {
res.set({
"Access-Control-Allow-Origin": "*",
"Access-Control-Allow-Methods": "GET, POST, PUT, DELETE, OPTIONS",
"Access-Control-Allow-Headers": "Content-Type, Authorization",
});
if (req.method === "OPTIONS") return res.sendStatus(204);
next();
});
// ── Rota raiz ────────────────────────────────────
app.get("/", (req, res) => {
res.json({
nome: "API Express",
versao: "1.0.0",
status: "online",
timestamp: new Date().toISOString(),
});
});
// ── Rotas da API ──────────────────────────────────
app.use("/usuarios", usuariosRouter);
// ── Tratamento de erros (sempre por último) ───────
app.use(naoEncontrado);
app.use(tratadorDeErros);
// ── Inicialização ──────────────────────────────────
app.listen(PORTA, () => {
console.log(`
🚀 API rodando em http://localhost:${PORTA}`);
console.log(`📋 Ambiente: ${process.env.NODE_ENV || "development"}
`);
});
module.exports = app; // útil para testes
A estrutura final do projeto:
src/
├── index.js
├── routes/
│ └── usuarios.js
└── middlewares/
├── logger.js
├── auth.js
├── validar.js
└── erros.js
Middleware de terceiros mais usados
npm install cors # CORS completo e configurável
npm install helmet # headers de segurança HTTP
npm install morgan # logging de requisições
npm install compression # compressão gzip/deflate
npm install rate-limiter-flexible # rate limiting
const cors = require("cors");
const helmet = require("helmet");
const morgan = require("morgan");
const compression = require("compression");
// Helmet — segurança (X-Frame-Options, CSP, etc.)
app.use(helmet());
// CORS configurado
app.use(cors({
origin: ["https://meuapp.com", "http://localhost:3000"],
methods: ["GET", "POST", "PUT", "DELETE"],
allowedHeaders: ["Content-Type", "Authorization"],
credentials: true,
}));
// Morgan — logging formatado
app.use(morgan("dev"));
// dev: GET /usuarios 200 5.123 ms - 238
// Compressão gzip para respostas grandes
app.use(compression());
Boas práticas com Express
// ✅ 1. Sempre use tratador de erros global
app.use((erro, req, res, next) => { /* ... */ });
// ✅ 2. Envolva handlers assíncronos para capturar erros
// Sem este wrapper, erros em async lançam UnhandledPromiseRejection
function asyncHandler(fn) {
return (req, res, next) => {
Promise.resolve(fn(req, res, next)).catch(next);
};
}
// Uso
app.get("/dados", asyncHandler(async (req, res) => {
const dados = await buscarDados(); // se rejeitar, vai para o error handler
res.json(dados);
}));
// ✅ 3. Separe app e server para facilitar testes
// app.js — cria e configura o app
// index.js — importa o app e chama listen()
// ✅ 4. Nunca exponha stack traces em produção
app.use((erro, req, res, next) => {
const isProd = process.env.NODE_ENV === "production";
res.status(500).json({
erro: "Erro interno do servidor.",
detalhes: isProd ? undefined : erro.message,
});
});
// ✅ 5. Valide entradas antes de processar
// Use zod, joi ou express-validator
// ✅ 6. Use compressão em produção
// ✅ 7. Helmet para headers de segurança
// ✅ 8. Rate limiting para prevenir abusos
Tarefa para você
Expanda a API de usuários com:
1. Rota GET /usuarios/:id/posts
Busca os posts do usuário na JSONPlaceholder:
https://jsonplaceholder.typicode.com/posts?userId={id}
- Use fetch (Node 18+) ou instale node-fetch
- Trate o caso em que a API externa falha
2. Middleware de rate limiting simples
- Limite de 10 requisições por minuto por IP
- Retorne 429 com mensagem clara ao exceder
- Implemente usando um Map em memória
3. Rota protegida
- POST /admin/usuarios — cria usuário (requer token)
- DELETE /admin/usuarios/:id — remove (requer token)
- Use o middleware autenticar que criamos
4. Validação com Zod
npm install zod
- Defina schemas para criação e atualização
- Middleware que valida o req.body antes do handler
Ver solução — posts, rate limit, rotas protegidas e validação com Zod
// npm install express zod
//
// ---- src/app.js
import express from "express";
import { z } from "zod";
const app = express();
app.use(express.json({ limit: "100kb" }));
// Atrás de proxy (Nginx, Heroku, Render), req.ip devolve o IP do
// proxy — todos os usuários viram o mesmo cliente e o rate limit
// derruba o site inteiro. Com isto, o Express lê o X-Forwarded-For.
app.set("trust proxy", 1);
const usuarios = [{ id: 1, nome: "Ana", email: "ana@exemplo.com" }];
let proximoId = 2;
// ---------------------------------------------------------------
// 2 — rate limiting com Map em memória
// ---------------------------------------------------------------
function limitarRequisicoes({ janelaMs = 60_000, maximo = 10 } = {}) {
const registros = new Map();
// Sem esta limpeza o Map cresce para sempre: um IP que apareceu uma
// vez fica guardado até o processo reiniciar. `unref()` evita que o
// timer segure o Node aberto no encerramento.
const limpeza = setInterval(() => {
const agora = Date.now();
for (const [ip, registro] of registros) {
if (agora > registro.reiniciaEm) registros.delete(ip);
}
}, janelaMs);
limpeza.unref();
return (req, res, next) => {
const agora = Date.now();
const chave = req.ip;
let registro = registros.get(chave);
if (!registro || agora > registro.reiniciaEm) {
registro = { contagem: 0, reiniciaEm: agora + janelaMs };
registros.set(chave, registro);
}
registro.contagem++;
const restantes = Math.max(0, maximo - registro.contagem);
const segundos = Math.ceil((registro.reiniciaEm - agora) / 1000);
res.set({
"RateLimit-Limit": String(maximo),
"RateLimit-Remaining": String(restantes),
"RateLimit-Reset": String(segundos),
});
if (registro.contagem > maximo) {
// Retry-After diz ao cliente QUANDO tentar de novo. Sem ele, um
// cliente automatizado costuma repetir imediatamente e piorar.
res.set("Retry-After", String(segundos));
return res.status(429).json({
erro: "Muitas requisições",
detalhe: `Limite de ${maximo} por minuto. Tente em ${segundos}s.`,
});
}
next();
};
}
app.use(limitarRequisicoes({ maximo: 10, janelaMs: 60_000 }));
// ---------------------------------------------------------------
// 4 — validação com Zod
// ---------------------------------------------------------------
const esquemaCriacao = z.object({
nome: z.string().trim().min(3, "nome precisa de ao menos 3 caracteres"),
email: z.string().email("email inválido"),
idade: z.number().int().positive().max(120).optional(),
});
// .partial() reaproveita o esquema acima em vez de duplicá-lo, e
// .refine barra o PATCH vazio, que passaria em todas as regras.
const esquemaAtualizacao = esquemaCriacao
.partial()
.refine((dados) => Object.keys(dados).length > 0, {
message: "envie ao menos um campo",
});
function validar(esquema) {
return (req, res, next) => {
const resultado = esquema.safeParse(req.body);
if (!resultado.success) {
return res.status(422).json({
erro: "Dados inválidos",
campos: resultado.error.issues.map((i) => ({
campo: i.path.join(".") || "(raiz)",
mensagem: i.message,
})),
});
}
// Substitui o corpo pelo DADO VALIDADO: o Zod já converteu tipos e
// removeu o que não está no esquema. Continuar usando req.body
// cru deixaria passar campos extras — inclusive um "admin": true.
req.body = resultado.data;
next();
};
}
// ---------------------------------------------------------------
// 3 — autenticação
// ---------------------------------------------------------------
function autenticar(req, res, next) {
const cabecalho = req.get("authorization") ?? "";
const [tipo, token] = cabecalho.split(" ");
if (tipo !== "Bearer" || !token) {
// 401: não sei quem você é. (403 seria: sei, e você não pode.)
return res.status(401).json({ erro: "Token ausente" });
}
if (token !== process.env.ADMIN_TOKEN) {
return res.status(403).json({ erro: "Token inválido" });
}
req.usuario = { papel: "admin" };
next();
}
// ---------------------------------------------------------------
// 1 — posts do usuário
// ---------------------------------------------------------------
app.get("/usuarios/:id/posts", async (req, res, next) => {
const id = Number(req.params.id);
const usuario = usuarios.find((u) => u.id === id);
if (!usuario) return res.status(404).json({ erro: "Usuário não encontrado" });
try {
const resposta = await fetch(
`https://jsonplaceholder.typicode.com/posts?userId=${id}`,
{ signal: AbortSignal.timeout(5000) } // Node 18+: timeout em uma linha
);
if (!resposta.ok) {
return res.status(502).json({
erro: "Serviço de posts indisponível",
detalhe: `A API externa respondeu ${resposta.status}`,
});
}
const posts = await resposta.json();
res.json({ usuario: usuario.nome, total: posts.length, posts });
} catch (erro) {
if (erro.name === "TimeoutError") {
return res.status(504).json({ erro: "A API de posts demorou demais" });
}
next(erro);
}
});
// ---------------------------------------------------------------
// Rotas administrativas
// ---------------------------------------------------------------
const admin = express.Router();
// O middleware vale para o router inteiro: uma linha em vez de
// repetir `autenticar` em cada rota — e sem risco de esquecer numa.
admin.use(autenticar);
admin.post("/usuarios", validar(esquemaCriacao), (req, res) => {
if (usuarios.some((u) => u.email === req.body.email)) {
// 409, não 422: o dado está bem formado, o conflito é de estado.
return res.status(409).json({ erro: "E-mail já cadastrado" });
}
const novo = { id: proximoId++, ...req.body };
usuarios.push(novo);
res.status(201).location(`/usuarios/${novo.id}`).json(novo);
});
admin.delete("/usuarios/:id", (req, res) => {
const indice = usuarios.findIndex((u) => u.id === Number(req.params.id));
if (indice === -1) return res.status(404).json({ erro: "Usuário não encontrado" });
usuarios.splice(indice, 1);
res.status(204).end();
});
app.use("/admin", admin);
// ---------------------------------------------------------------
// Tratamento de erro — sempre por último, sempre com 4 parâmetros
// ---------------------------------------------------------------
// O Express identifica o handler de erro pela ARIDADE. Com três
// parâmetros ele vira um middleware comum e nunca é chamado — bug
// clássico e silencioso.
app.use((erro, req, res, _next) => {
console.error(erro);
res.status(erro.status ?? 500).json({ erro: "Erro interno" });
});
app.listen(3000, () => console.log("http://localhost:3000"));
// ---------------------------------------------------------------
// O detalhe que morde: rate limit em memória não escala
// ---------------------------------------------------------------
// O Map vive DENTRO de um processo. Com duas instâncias atrás de um
// balanceador, o cliente tem na prática o dobro do limite; com PM2 em
// modo cluster, multiplicado pelo número de núcleos. E tudo zera a
// cada deploy.
//
// Para valer de verdade, o contador precisa ser compartilhado —
// Redis com INCR e EXPIRE, ou o `express-rate-limit` com um store.
// Em memória serve para desenvolvimento e para uma instância só.
Três pegadinhas do Express num exercício só: o handler de erro precisa dos quatro parâmetros (com três, vira middleware comum e nunca roda), trust proxy é obrigatório atrás de proxy — senão todos os usuários compartilham o mesmo req.ip e o rate limit derruba o site — e o corpo validado deve substituir o req.body, senão campos não declarados seguem adiante.
Tudo no Express é middleware, rotas inclusive: uma pilha de funções que recebem req, res e next, executadas na ordem em que foram registradas. Essa única ideia explica por que a ordem importa tanto, por que uma rota literal precisa vir antes de uma paramétrica, por que o tratador de erro fica por último — e por que ele exige quatro parâmetros, já que é pela contagem deles que o Express o distingue dos demais.
Fontes e Referências
- Express.js — Documentação oficial: https://expressjs.com/pt-br
- Express.js — Guia de middlewares: https://expressjs.com/pt-br/guide/using-middleware.html
- Express.js — Guia de roteamento: https://expressjs.com/pt-br/guide/routing.html
- Express.js — Tratamento de erros: https://expressjs.com/pt-br/guide/error-handling.html
- Helmet.js: https://helmetjs.github.io
- Morgan: https://github.com/expressjs/morgan
- CORS: https://github.com/expressjs/cors
- Node.js Design Patterns — Mario Casciaro (Packt Publishing)
- Express — guia de rotas: https://expressjs.com/en/guide/routing/
Exercícios
Exercício 1
Você segue o artigo à risca: npm install express e este arquivo. A aplicação não chega a subir. O que aconteceu?
const express = require("express");
const app = express();
app.get("/docs/*", (req, res) => {
res.send(`Documento: ${req.params[0]}`);
});
app.listen(3000);
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✓ Resposta: O processo morre no boot com TypeError: Missing parameter name at 1, porque o npm install express sem versão instala o Express 5, e o analisador de rotas dele não aceita mais o curinga solto. A sintaxe dos exemplos do artigo é a do Express 4, e a migração mexeu exatamente nos casos de canto: no 5 o curinga precisa ser nomeado — /docs/*caminho —, e o valor chega em req.params.caminho como array de segmentos, não como a string única que o req.params[0] devolvia. O parâmetro opcional mudou junto: :extensao? virou {.:extensao}. Duas lições que valem além do Express: uma major pode quebrar no boot em vez de em produção, e é o melhor cenário possível — a falha é imediata e o stack aponta para a linha; e é por isso que material didático envelhece de forma traiçoeira, já que o texto continua correto para a versão em que foi escrito. Para acompanhar o artigo como está, fixe a versão: npm i express@4.
Exercício 2
Toda rota assíncrona que falha devolve uma página HTML de erro em vez do JSON deste tratador, e o console.error nunca imprime nada. Por quê?
app.use("/usuarios", usuariosRouter);
app.use((erro, req, res) => {
console.error(erro);
res.status(erro.status ?? 500).json({ erro: "Erro interno" });
});
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✓ Resposta: Porque o Express identifica o tratador de erro pela aridade da função — o número de parâmetros declarados. Com três, ele é registrado como middleware comum; o erro passa a receber o req, o req recebe o res, e nada nesse handler faz sentido. Como não sobra nenhum tratador de erro registrado, o Express cai no tratador padrão, que responde com uma página HTML — em desenvolvimento, com o stack trace inteiro exposto. A correção é declarar os quatro parâmetros, mesmo sem usar o último: (erro, req, res, next), ou _next para o linter não reclamar. E aqui está o detalhe que faz o bug sobreviver à revisão: remover um parâmetro não usado parece limpeza, o código continua sem erro de sintaxe, e o defeito só aparece no dia em que alguma rota falha de verdade. Vale saber ainda que, no Express 4, o tratador também não captura erro lançado dentro de função async, porque a rejeição não é repassada ao next — daí o asyncHandler do artigo. No Express 5 isso mudou: uma promise rejeitada é encaminhada ao tratador automaticamente.
Exercício 3
Estas quatro linhas estão no index.js do artigo, nesta ordem. Um formulário HTML comum faz POST para a API. O que ele recebe?
app.use(express.json());
app.use(express.urlencoded({ extended: true }));
app.use(validarJSON);
// validarJSON responde 415 quando o método é POST, PUT ou PATCH
// e o Content-Type não contém "application/json"
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✓ Resposta: Recebe 415 Unsupported Media Type, sempre. Um formulário HTML enviado pelo navegador manda Content-Type: application/x-www-form-urlencoded — ou multipart/form-data, quando tem arquivo —, nunca application/json. O validarJSON está registrado globalmente, então rejeita a requisição antes de qualquer rota, e o express.urlencoded da linha anterior fica completamente inútil: o app instala o suporte a formulário e, uma linha abaixo, proíbe formulários. É o artigo se contradizendo dentro do mesmo bloco, e o tipo de coisa que ninguém percebe enquanto testa só com curl mandando JSON. Há duas saídas, conforme a intenção. Se a API é só JSON, o honesto é remover o express.urlencoded e assumir isso. Se ela também aceita formulário, a validação não pode ser global: aplique-a apenas onde JSON é obrigatório, como app.use("/api", validarJSON), ou liste os tipos aceitos em vez de exigir um só. A regra geral que vale levar: middleware global é uma decisão de produto, não um detalhe de implementação — ele passa a valer para rotas que ainda nem foram escritas.
Exercício 4
Três rotas, a mesma requisição GET /usuarios/novos. Qual delas responde?
router.get("/:id", (req, res) => {
const usuario = usuarios.find(u => u.id === Number(req.params.id));
if (!usuario) return res.status(404).json({ erro: "Não encontrado" });
res.json(usuario);
});
router.get("/novos", (req, res) => {
res.json(usuarios.filter(u => u.criadoEm > ontem()));
});
router.get("/:id/posts", (req, res) => { /* ... */ });
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✓ Resposta: Responde a primeira, com 404 Não encontrado — e a rota /novos nunca executa. O Express testa as rotas na ordem em que foram registradas e para na primeira que casa; /:id é um parâmetro, aceita qualquer segmento, e "novos" é um segmento como outro qualquer. O que acontece em seguida é o que torna o defeito difícil: Number("novos") é NaN, nenhum usuário tem id igual a NaN, o find devolve undefined e a rota responde um 404 perfeitamente plausível. Ninguém suspeita de conflito de rotas ao ver "não encontrado" — a hipótese natural é que falte o dado. A regra é colocar as rotas literais antes das paramétricas, sempre: /novos acima de /:id. Duas defesas complementares: restringir o parâmetro ao formato esperado, com router.get("/:id(\\d+)") no Express 4, o que faz /novos simplesmente não casar; e validar o parâmetro no início do handler, devolvendo 400 quando Number.isNaN(id) — porque "você mandou um id inválido" e "esse usuário não existe" são respostas diferentes, e confundir as duas custa horas de depuração de quem consome a API.
Exercício 5
Esta é a paginação do Router do artigo. O que devolve GET /usuarios?pagina=0, e o que devolve ?por_pagina=abc?
const { busca, pagina = 1, por_pagina = 10 } = req.query;
const total = lista.length;
const inicio = (pagina - 1) * por_pagina;
const dados = lista.slice(inicio, inicio + Number(por_pagina));
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✓ Resposta: Com ?pagina=0, o inicio vira -10 — e slice com índice negativo conta a partir do fim. A resposta traz os dez últimos usuários, apresentados como se fossem a página zero, sem erro nenhum. Com ?por_pagina=abc, o inicio vira NaN, o slice(NaN, NaN) trata os dois como zero e devolve um array vazio, enquanto o campo total continua informando o número real de registros — uma resposta internamente contraditória, que faz a interface mostrar "42 resultados" sobre uma lista em branco. A raiz dos dois é a mesma: req.query entrega strings, e os valores entram na conta sem nunca serem validados. As coerções do JavaScript mascaram isso — ("2" - 1) dá 1 e tudo parece funcionar enquanto a entrada é bem-comportada. Todo parâmetro de paginação precisa de piso e teto: Math.max(1, Number(pagina) || 1) e Math.min(100, Math.max(1, Number(por_pagina) || 10)), exatamente como o artigo anterior fez. O teto não é preciosismo: sem ele, ?por_pagina=9999999 é um jeito barato de pedir a tabela inteira e derrubar a API.